segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vale a pena transgredir.

Numa outra noite estava em casa vendo televisão e apareceu um programa politico do PT, com o presidente Lula fazendo apresentação entusiasmada da candidata Vilma. O programa durou dez minutos e teve a participação de alguns ministros. Todos elogiavam a candidata, mostrando as qualidades que a faziam estar apta a exercer a presidência da república.
Não sou especializado em Direito Eleitoral, mas imaginei que alguma coisa alí não estava certo. Aquela propoganda era ilegal, porque antecipada. Os jornais dos dias seguintes publicaram as reações dos partidos de oposição. O próprio secretário nacional de comunicação do PT, André Vargas, depois disse em seu Twitter: "Estou no trânsito em SP. Ouvi o programa no rádio do PT. Lula é Dilma. Dilma é Lula. O programa foi de primeira. Aí vem a gritaria !!!
Vieram não só gritarias, como têm vindo multas do Tribunal Superior Eleitoral.
O senador Demóstenes Torres deu entrevista afirmando: "Quando o presidente da república descumpre a lei sitematicamente, ele está pregando a desobediência civil".
O presidente da república e seu partido têm recebido do TSE multas de cinco a vinte mil reais, que são penas muito brandas em proporção ao péssimo exemplo que ele dá ao país.
É como se roubar um milhão de dólares (ou muito menos) valesse a pena, desde que o ladrão pudesse ficar com o dinheiro ao final do cumprimento de sua pena.
É como ter licença para praticar crimes, se sua prática compensar, valer a pena.
Se alguém já disse que o Brasil não é um país sério, são integrantes do próprio governo federal que fazem com que esse dito tenha cabimento.
Ante tudo isso vai você dizer a um pobre morador de favela que não vale a pena fazer um peno tráfico cocaína, só porque tal prática é criminosa. O risco de ser pego é quase nenhum
Realmente nossos governantes estão acima do bem e do mal.
Feita a propaganda eleitoral, a mensagem já foi divulgada, o mardeting já foi produzido. O brasielrio inculto não tem como saber de legalidade ou ilegalidade. A propaganda já lhe foi metida goela abaixo e não há punição do TSE que faça com que elã não tenha valido a pena. A não ser que seja aplicada a punição máxima da Lei 64/90, que é a perda do registro eleitoral.
O pior é que a sociedade já se acostumou a tudo isso e nem reage !

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sociedade pedófila ?

O arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, disse que a sociedade é pedófila.

Fez essa afirmação quando deu entrevista, abordando o tema pedofilia dos padres, no primeiro dia da 48a. Assembléia Geral dos Bispos do Brasil (CNBB), que ocorreu em Brasília.

Para ele o abuso sexual de crianças e adolescentes é mais frequente entre médicos, professores e empresários do que entre sacerdotes.

Achei absurda todas as afirmações do arcebispo.

Não sou defensor da classe médica, mas seguramente é a classe mais fiscalizada do Brasil, já que pacientes estão a todo o momento denunciando erros e abusos praticados por médicos. Mas eu não tenho lido notícias de absusos sexuais praticados por médicos contra crianças e adolescentes. A não ser o caso recentemente ocorrido em São Paulo, onde um médico sedava crianças para delas abusar, eu não soube de nenhum outro caso de ataque de médicos contra crianças ou adolescentes. É certo que são noticiados incontáveis casos de ataques sexuais de médicos contra suas pacientes, mas estas são sempre maiores de idade.

Soube de casos de ataques de empresários contra suas secretárias ou funcionárias, mas não consta que elas fossem menores.

Já em relação aos professores realmente tem havido acusações de pedofilia, mas sempre denunciada pelos pais aos diretores e autoridades, com imediata reação por parte deles.

O arcebispo não deixou de afirmar que o abuso sexual de crianças e adolescentes deve ser punido. Mas, diz ele, "a Igreja ir lá acusar seus próprios filhos seria um pouco estranho".

Finalmente afirmou que na Alemanha foi constatado que só 0,2% dos abusos foram praticados por sacerdotes. A defesa que faz o arcebispo é aquela mesma baseada no argumento que, se na Igreja há pedófilos, há também entre todos os outros segmentos da sociedade. É como se defendem os políticos brasileiros: sou corrupto, mas quem não é ? Ainda que a pedofilia entre os padres fosse só de 0,2% da pedofilia praticada por toda a sociedade, ainda assim esse percentual seria inadmissível. Não poderia existir um só padre pedófilo, sem que fosse excluído das práticas religiosas.

Há profissões nas quais determinados comportamentos são inconcebíveis, porque atentam contra a própria essência da profissão. Exemplo: os advogados não podem trair seus clientes, os médicos não podem matar os pacientes, os psiquiatras não podem agravar a doença mental dos assistidos.

Outra afirmação absurda do arcebispo: "nós sabemos que o adolescente é espontaneamente homosexual. Menino brinca com menino, menina brinca com menina. Só depois, se não houve uma boa orientação, isso se fixa. Então a questão é como vamos educar nossas ciranças para o uso da sexualidade, que seja (o uso) humano e condizente ?

Que incrível afirmar o arcebispo que o adolescente é espontaneamente homosexual ! Só uma pequeníssima parcela da humanidade é espontaneamente homosexual. Meninos brincam com meninos e continuam brincando com meninos pelo resto da vida, sem que nem por isso alguém seja espontaneamente homosexual. Vocês vão ver quantos meninos estarão brincando com meninos na próxima copa do mundo de futebol.

Disse ainda mais o arcebispo em sua desastrada entrevista: "Antigamente não se falava em homosexual. E (o homosexual) era discriminado. Quando começa a (dizer) que eles têm direitos de se manifestar publicamente, daqui a pouco vão achar os direitos dos pedófilos".
Primeiramente: ser homosexual não é crime, ao contrário da pedofilia, que é criminosa. Depois: a pedofilia ocorre contra crianças e adolescentes, que não têm capacidade para se defender. Já o homosexualismo é praticado entre adultos, por opção e deliberação livres de todos os que decidiram por essa opção sexual. Os que praticam pedofilia não podem sair a público defendendo seus direitos, porque eles não têm outro direito senão o de serem defendidos quando judicialmente acusados.
Realmente o senhor arcebispo falou demais. Defender-se batendo é a estratégia dos que não têm defesa. A omissão de parte da alta hierarquia da Igreja no combate à pedofilia é altamente condenável.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ainda o caso do casal Nardoni.

Como todos os brasileiros eu fiquei absolutamente chocado com a notícia de que uma menina de seis anos de idade tinha sido jogada pelo próprio pai através da janela de seu apartamento em São Paulo.
O noticiário dava conta de que a menina era filha de um casamento anterior de seu pai e que este, divorciado, estava vivendo um novo casamento. Com sua nova esposa o pai já tinha tido mais um casal de filhos.
Soube também que a promotoria acusava a madrasta da menina de havê-la esganado e o pai de ter completado a agressão jogando-a pela janela. A menina morreu ao chegar ao chão ou a esganadura já a havia matado, caso em que já estaria morta quando chegou ao chão.
A mãe foi condenada a cumprir vinte e um anos de reclusão e o pai foi condenado a trinta e um anos.
Já comentei o caso em mensagem anterior deste mesmo blog, esclarecendo que pai e madrasta optaram por uma mesma versão e uma só tese de defesa: a negativa de autoria. Alegaram que em sua ausência alguém deveria ter entrado no apartamento e jogado a menina pela janela. Não explicaram como havia manchas de sangue pelo solo nem o porquê de ter sido a menina esganada.
Um amigo meu, famoso repórter policial de São Paulo, acompanhou todo o caso desde seu começo. Liguei para ele depois que os laudos periciais já haviam sido concluídos, e lhe perguntei se ele achava que o casal era culpado. Ele me respondeu textualmente o seguinte: "há apenas duas hipóteses: ou o homem aranha escalou as paredes, estrangulou a menina e a jogou pela janela ou foi o casal o culpado pelo esganamento e pelo arremesso. Como homem aranha não existe..."
O Tribunal do Juri de São Paulo também considerou os réus culpados.
A partir daí cabem algumas considerações.
A madrasta, por se considerar ou não inocente do homicídio ocorrido, negou até o próprio estrangulamento. Acabou o casal por ser condenado por homicídios qualificados, uma das qualificadoras porque o homicídio foi praticado com o objetivo de esconder a primeira agressão.
Ao negar totalmente a participação nos fatos, e deixar de explicar as manchas de sangue no chão do apartamento e o estrangulamento - que obviamente não foi praticado com a intenção de matar - a madrasta arriscou-se a receber a elevadíssima pena que recebeu.
Sucede que ela tem mais um casal de filhos, que são ainda pequenos. E esses filhos não vão ter a companhia da mãe por longos e longos anos, mesmo que ela usufrua de todos os benefícios que qualquer condenado possa receber no período de execução de sua pena. Tais filhos vão ser educados pelos avós.
Uma das penas aplicadas indiretamente pelo julgamento aplicou-se sobre essas duas crianças, filhas da mulher condenada.
Será que ela avaliou toda essa situação - a de que seus filhos ficariam privados de seu relacionamento durante anos - quando optou por não explicar o que realmente ocorreu ? Mesmo que fosse para afimar que os fatos não ocorreram da forma como descrevia o Ministério Público, ela deveria ter sido mais convincente. Assumiu um tudo ou nada e ficou com o nada.
Confesso que não li o processo e estou manifestando opinião como um simples leitor de jornal.

Mundo de loucos.

Eu acredito que uma boa percentagem das pessoas que nos rodeiam não sejam normais. Mas que uma percentagem não é normal eu tenho certeza. Aventuro-me até a dizer que entre elas há um percentual menor de indiscutíveis loucos. Qual é essa percentagem de loucos varridos eu não sei. O certo é que você nunca sabe se a pessoa que está a seu lado, em qualquer situação, funciona bem da cabeça ou não.
Uma vez eu acabara de chegar de São Paulo, pela ponte áerea, e estava no aeoporto do Galeão comprando um tiquete de taxi especial para o bairro de Copacabana.
Logo atrás de mim veio um senhor e falou para a vendedora: "um tíquete para copacabana". Não sei porque abateu-se sobre mim uma crise de gentileza e eu falei para o senhor: "senhor, eu estou indo para Copacabana. Se desejar aproveitar o mesmo taxi poderemos ir juntos. Já paguei o bilhete".
Para minha surpresa o homem virou uma fera. Veio para cima de mim aos berros, dizendo quem você pensa que eu sou ?".
Não sei se ele imaginou que eu fosse um homossexual ou um assaltante.
Mal consegui pedir desculpas e afirmar que apenas quisera ser gentil.
Mas aprendi a lição. Nunca se sabe de que tipo de loucura a pessoa a seu lado é portadora.

Mundo eletrônico

Como todas as pessoas da minha idade eu tenho dificuldades para ingressar no mundo da tecnologia, o que faço com muito esforço.


Digitar no computar eu não tenho problema, porque sempre fui um excepcional datilógrafo e até paguei as mensalidades de minha faculdade datilogrando em cartório judicíário.


Mas uma vez eu estava na cidade de Firenze, na Itália, pretendendo visitar a cidade de Assis, terra de São Francisco, patrono do colégio de frades capuchinhos no qual estudei.


Na estação ferroviária não havia mais tempo para eu comprar o bilhete no guichê, porque o próximo trem partiria em pouco tempo e a fila do guichê estava muito grande.


Só me restava a opção de comprar um bilhete eletrônico.


Postei-me na fila olhando a máquina de bilhetes e tentando entender como ela funcionava. Na minha frente e, já acionando as teclas, estavam uma senhora espanhola e sua jovem filha pretendendo comprar um tiquete para não sei onde. Eu as olhava atentamente, verificando o que elas faziam para depois eu fazer o mesmo.


Elas desitiram antes de terminar a tarefa e me mandaram passar à frente. Ficaram do lado da máquina.


Aproveitei que atrás de mim estava um jovem italiano e lhe pedi o favor de tirar o meu bilhete. Enquanto ele operava a máquina a senhora espanhola virou-se para mim e me disse: ah ! quer dizer que você é burro como nós e não sabe tirar os bilhetes ! Porque então estava atrás da gente rindo o tempo todo". Eu falei: "não, minha senhora, eu estava atrás de vocês tentando aprender como funciona a máquina e não estava rindo". Ela respondeu: "estava rindo sim, você é um idiota". Ai eu perdi a cabeça e num bom português mandei a senhora passear, da forma que todos sabem como se manda alguém passear no Brasil. Já de posse de meu próprio bilhete fui embora para Assis.

Hipocondria

Eu sofro de uma assumida e cultivada hipocondria.

Como hipocondríaco, além de tomar meus próprios remédios eu costumo receitar.

Vou contar a história de uma assistência médica que dei a "pacientes".

Mas antes conto um meu problema pessoal na área médica. De alguns anos para cá passei a ter uma rouquidão e um picarro irritantes e constantes. No dia em que o problema me atacava eu ficava envervado e irritava os outros também. Fazia uma rã-rã~rã contínio e barulhento, a ponto de todos saberem onde ou eu estava.

Visitei inúmeros médicos otorrinos, e fiz um milhão exames de garganta para detectar o porquê de minha garganta emitir tantos ruídos. Até que um ilustre médico de São Paulo me disse o seguinte: "isso está parecendo refluxo estomacal que irrita a tua garganta. Vamos fazer uma experiência tratando do estômago com o medicamente pantoprazo e ver se o problema fica resolvido". Esqueci de mencionar que antes já tinha feito várias endoscopia para verificar se tinha hernia de hiato entre o estômago e o esôfago. Não tinha.

Passei a tomar o pantoprazol e meu problema foi resolvido, tendo meus pigarros diminuído no venta e nove por cento. Quando fico atacado de pigarro já sei como atacar a causa.

Agora a história da consulta que dei: eu viajava de ponte aérea do Rio para São Paulo e havia dois senhores no banco a minha frente, convensando e pigarreando duante toda a viagem.

Quando o avião parou na pista em São Paulo e todos nos preparávamos para iniciar a caminhada no corredor até a porta de saída, eu não resisti e perguntei ao dois "qual dos senhores estava pigarreando". Eles responderam: "nós dois". Eu perguntei: "já pesquisaram para saber se a causa não é um refluxo, porque depois que foi diagnosticado meu refluxo eu sarei com a medicação pantoprazol". Eles disseram que já haviam constatado que o problema deles era mesmo refluxo e que já estavam se tratando com omeprazol, e um deles me disse que sua mãe sofria desse mesmo problema cronicamente e há muitos anos. Mas aí eles me explicaram, para meu espanto e minha vergonha, que os dois eram médicos. Eu exlamei "médicos ? mas de qual especialidade ?". Eles responderam "somos os dois gastro". Pedi um milhão de desculpas e disse: "eu sou advogado, mas como os senhores podem ver eu estou clinicando". E os dois muito simpaticamente responderam "muito bem, por sinal".