Como todas as pessoas da minha idade eu tenho dificuldades para ingressar no mundo da tecnologia, o que faço com muito esforço.
Digitar no computar eu não tenho problema, porque sempre fui um excepcional datilógrafo e até paguei as mensalidades de minha faculdade datilogrando em cartório judicíário.
Mas uma vez eu estava na cidade de Firenze, na Itália, pretendendo visitar a cidade de Assis, terra de São Francisco, patrono do colégio de frades capuchinhos no qual estudei.
Na estação ferroviária não havia mais tempo para eu comprar o bilhete no guichê, porque o próximo trem partiria em pouco tempo e a fila do guichê estava muito grande.
Só me restava a opção de comprar um bilhete eletrônico.
Postei-me na fila olhando a máquina de bilhetes e tentando entender como ela funcionava. Na minha frente e, já acionando as teclas, estavam uma senhora espanhola e sua jovem filha pretendendo comprar um tiquete para não sei onde. Eu as olhava atentamente, verificando o que elas faziam para depois eu fazer o mesmo.
Elas desitiram antes de terminar a tarefa e me mandaram passar à frente. Ficaram do lado da máquina.
Aproveitei que atrás de mim estava um jovem italiano e lhe pedi o favor de tirar o meu bilhete. Enquanto ele operava a máquina a senhora espanhola virou-se para mim e me disse: ah ! quer dizer que você é burro como nós e não sabe tirar os bilhetes ! Porque então estava atrás da gente rindo o tempo todo". Eu falei: "não, minha senhora, eu estava atrás de vocês tentando aprender como funciona a máquina e não estava rindo". Ela respondeu: "estava rindo sim, você é um idiota". Ai eu perdi a cabeça e num bom português mandei a senhora passear, da forma que todos sabem como se manda alguém passear no Brasil. Já de posse de meu próprio bilhete fui embora para Assis.

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