quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sociedade pedófila ?

O arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, disse que a sociedade é pedófila.

Fez essa afirmação quando deu entrevista, abordando o tema pedofilia dos padres, no primeiro dia da 48a. Assembléia Geral dos Bispos do Brasil (CNBB), que ocorreu em Brasília.

Para ele o abuso sexual de crianças e adolescentes é mais frequente entre médicos, professores e empresários do que entre sacerdotes.

Achei absurda todas as afirmações do arcebispo.

Não sou defensor da classe médica, mas seguramente é a classe mais fiscalizada do Brasil, já que pacientes estão a todo o momento denunciando erros e abusos praticados por médicos. Mas eu não tenho lido notícias de absusos sexuais praticados por médicos contra crianças e adolescentes. A não ser o caso recentemente ocorrido em São Paulo, onde um médico sedava crianças para delas abusar, eu não soube de nenhum outro caso de ataque de médicos contra crianças ou adolescentes. É certo que são noticiados incontáveis casos de ataques sexuais de médicos contra suas pacientes, mas estas são sempre maiores de idade.

Soube de casos de ataques de empresários contra suas secretárias ou funcionárias, mas não consta que elas fossem menores.

Já em relação aos professores realmente tem havido acusações de pedofilia, mas sempre denunciada pelos pais aos diretores e autoridades, com imediata reação por parte deles.

O arcebispo não deixou de afirmar que o abuso sexual de crianças e adolescentes deve ser punido. Mas, diz ele, "a Igreja ir lá acusar seus próprios filhos seria um pouco estranho".

Finalmente afirmou que na Alemanha foi constatado que só 0,2% dos abusos foram praticados por sacerdotes. A defesa que faz o arcebispo é aquela mesma baseada no argumento que, se na Igreja há pedófilos, há também entre todos os outros segmentos da sociedade. É como se defendem os políticos brasileiros: sou corrupto, mas quem não é ? Ainda que a pedofilia entre os padres fosse só de 0,2% da pedofilia praticada por toda a sociedade, ainda assim esse percentual seria inadmissível. Não poderia existir um só padre pedófilo, sem que fosse excluído das práticas religiosas.

Há profissões nas quais determinados comportamentos são inconcebíveis, porque atentam contra a própria essência da profissão. Exemplo: os advogados não podem trair seus clientes, os médicos não podem matar os pacientes, os psiquiatras não podem agravar a doença mental dos assistidos.

Outra afirmação absurda do arcebispo: "nós sabemos que o adolescente é espontaneamente homosexual. Menino brinca com menino, menina brinca com menina. Só depois, se não houve uma boa orientação, isso se fixa. Então a questão é como vamos educar nossas ciranças para o uso da sexualidade, que seja (o uso) humano e condizente ?

Que incrível afirmar o arcebispo que o adolescente é espontaneamente homosexual ! Só uma pequeníssima parcela da humanidade é espontaneamente homosexual. Meninos brincam com meninos e continuam brincando com meninos pelo resto da vida, sem que nem por isso alguém seja espontaneamente homosexual. Vocês vão ver quantos meninos estarão brincando com meninos na próxima copa do mundo de futebol.

Disse ainda mais o arcebispo em sua desastrada entrevista: "Antigamente não se falava em homosexual. E (o homosexual) era discriminado. Quando começa a (dizer) que eles têm direitos de se manifestar publicamente, daqui a pouco vão achar os direitos dos pedófilos".
Primeiramente: ser homosexual não é crime, ao contrário da pedofilia, que é criminosa. Depois: a pedofilia ocorre contra crianças e adolescentes, que não têm capacidade para se defender. Já o homosexualismo é praticado entre adultos, por opção e deliberação livres de todos os que decidiram por essa opção sexual. Os que praticam pedofilia não podem sair a público defendendo seus direitos, porque eles não têm outro direito senão o de serem defendidos quando judicialmente acusados.
Realmente o senhor arcebispo falou demais. Defender-se batendo é a estratégia dos que não têm defesa. A omissão de parte da alta hierarquia da Igreja no combate à pedofilia é altamente condenável.

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