terça-feira, 4 de maio de 2010

Ainda o caso do casal Nardoni.

Como todos os brasileiros eu fiquei absolutamente chocado com a notícia de que uma menina de seis anos de idade tinha sido jogada pelo próprio pai através da janela de seu apartamento em São Paulo.
O noticiário dava conta de que a menina era filha de um casamento anterior de seu pai e que este, divorciado, estava vivendo um novo casamento. Com sua nova esposa o pai já tinha tido mais um casal de filhos.
Soube também que a promotoria acusava a madrasta da menina de havê-la esganado e o pai de ter completado a agressão jogando-a pela janela. A menina morreu ao chegar ao chão ou a esganadura já a havia matado, caso em que já estaria morta quando chegou ao chão.
A mãe foi condenada a cumprir vinte e um anos de reclusão e o pai foi condenado a trinta e um anos.
Já comentei o caso em mensagem anterior deste mesmo blog, esclarecendo que pai e madrasta optaram por uma mesma versão e uma só tese de defesa: a negativa de autoria. Alegaram que em sua ausência alguém deveria ter entrado no apartamento e jogado a menina pela janela. Não explicaram como havia manchas de sangue pelo solo nem o porquê de ter sido a menina esganada.
Um amigo meu, famoso repórter policial de São Paulo, acompanhou todo o caso desde seu começo. Liguei para ele depois que os laudos periciais já haviam sido concluídos, e lhe perguntei se ele achava que o casal era culpado. Ele me respondeu textualmente o seguinte: "há apenas duas hipóteses: ou o homem aranha escalou as paredes, estrangulou a menina e a jogou pela janela ou foi o casal o culpado pelo esganamento e pelo arremesso. Como homem aranha não existe..."
O Tribunal do Juri de São Paulo também considerou os réus culpados.
A partir daí cabem algumas considerações.
A madrasta, por se considerar ou não inocente do homicídio ocorrido, negou até o próprio estrangulamento. Acabou o casal por ser condenado por homicídios qualificados, uma das qualificadoras porque o homicídio foi praticado com o objetivo de esconder a primeira agressão.
Ao negar totalmente a participação nos fatos, e deixar de explicar as manchas de sangue no chão do apartamento e o estrangulamento - que obviamente não foi praticado com a intenção de matar - a madrasta arriscou-se a receber a elevadíssima pena que recebeu.
Sucede que ela tem mais um casal de filhos, que são ainda pequenos. E esses filhos não vão ter a companhia da mãe por longos e longos anos, mesmo que ela usufrua de todos os benefícios que qualquer condenado possa receber no período de execução de sua pena. Tais filhos vão ser educados pelos avós.
Uma das penas aplicadas indiretamente pelo julgamento aplicou-se sobre essas duas crianças, filhas da mulher condenada.
Será que ela avaliou toda essa situação - a de que seus filhos ficariam privados de seu relacionamento durante anos - quando optou por não explicar o que realmente ocorreu ? Mesmo que fosse para afimar que os fatos não ocorreram da forma como descrevia o Ministério Público, ela deveria ter sido mais convincente. Assumiu um tudo ou nada e ficou com o nada.
Confesso que não li o processo e estou manifestando opinião como um simples leitor de jornal.

Um comentário:

  1. Pedro Paulo
    voce tá precisando é ler a nossa comunidade
    http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=48669477&tid=5469510009586188172&na=2&nst=49

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